segunda-feira, 20 de abril de 2009

6 - TRAÍRA E O CAPANGA




(Um dos capangas de Herodes, tenta impedir a entrada dele. Trava-se uma guerra pelo pequeno poder)

Capanga – Parado ai, Traíra!... Onde tu pensa qui vai?

Traíra
– iiih!...Qual é meu camarada! Só vim desenrolar umas idéias com Herodes... Podi ser ou tá difícil?

Capanga
– Vaza daqui, seu mané!... Dessa vez não tem caô!... Si tu tentar entrar aqui, nóis ti passa fogo.

Traíra
– Cumé qui é cumpadi?... Cê sabe com quem tá falando?... Sou Traíra, o olheiro mais sagaz de toda Belém.


Capanga – Foda-se! Tô te avisando: Vaza daqui agora, senão a chapa vai esquentar pro teu lado.

Traíra – Valeu choqui, já qui é assim, tô indo!... pausa... Mas antes vou ti mandar um papo reto, falô? Se Herodes descobrir que tu mi barrou, com as informações que trago, ele mermo te passa o rodo.

Traíra caminha para a frente do palco, sorrindo e já prevendo a reação do capanga.

Capanga – Pô, Qual é sangue bom?... Aqui só tô cumprindu ordi, tá ligado?

Traíra
– Tô ligado, Brôu!... Só lamento você não viver pra ver a manchete de amanhã: “Corpo de Indigente é Encontrado Boiando no valão”... Cê vai ser famoso, hein?... Vai virar estatística.

Capanga – Hããã?... Num quero vira "istrastistisca", não!

Traíra
– Fazer o quê, né?... Fuiii!...

Capanga
– Ei, ei!!... Perai, Traíra!... Si é tão importanti assim, nóis dá um jeito... Cê sabe, né?

Traíra para de andar, vira-se para o Capanga e diz com ar vitorioso:

Traíra – Tá certo! Como hoje eu tô di boa, vou ti quebrar essa... Mas vou logo te avisando que é só hoje, hein?

(O capanga pede a permissão através do walkie-talkie e Traíra é liberado para entrar na fortaleza)

Capanga – O patrão liberô... Enti! – Fala de cabeça baixa e com o olhar de raiva.

Traíra – Já ééé!... Seu cagão! – E caminha na direção da porta.

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